Twitter Facebook Orkut Rss

introducao

terça-feira, 6 de março de 2012


Introdução
No decorrer de minha vida profissional como educadora em diferentes níveis e modalidades de
ensino, a questão do papel e da postura do professor sempre esteve presente em minhas reflexões.
E acentuou-se ainda mais quando integrei à minha prática a utilização do computador.
Novas questões vieram somar-se às minhas preocupações quando participei de cursos de formação de
professores para uso pedagógico do computador. A minha participação em tais atividades de formação
fez com que eu me conscientizasse de que a adequada preparação do professor é o componente fundamental
para o uso do computador em Educação, segundo uma perspectiva crítico-reflexiva.
Com essa visão, acredito que uma reflexão sobre o Curso de Especialização em Informática na
Educação, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), poderá trazer contribuições, não só para a
melhoria do próprio curso, mas para outras atividades correlatas.
Este trabalho apresenta uma análise das atividades de formação de professores desenvolvidas em
distintas instituições e discute o processo desencadeado na UFAL ao realizar o curso de especialização.
Ao mesmo tempo, procura explicitar os equívocos, os avanços e as possíveis contribuições. No final,
apresenta as diretrizes de uma teoria norteadora que possa orientar a formação de professores para o
uso pedagógico do computador em quaisquer modalidades, quer seja no locus escolar, quer seja no
âmbito das universidades.
Tecnologia, desenvolvimento do pensamento
e implicações educacionais
As vertiginosas evoluções sócio-culturais e tecnológicas do mundo atual geram incessantes mudanças
nas organizações e no pensamento humano e revelam um novo universo no cotidiano das
pessoas. Isso exige independência, criatividade e autocrítica na obtenção e na seleção de informações,
assim como na construção do conhecimento.
Por meio da manipulação não linear de informações, do estabelecimento de conexões entre as
mesmas, do uso de redes de comunicação, dos recursos multimídia, o emprego da tecnologia
computacional promove a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento de diferentes modos de
representação e de compreensão do pensamento.
Os computadores possibilitam representar e testar idéias ou hipóteses, que levam à criação de um
mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo que introduzem diferentes formas de atuação e de
interação entre as pessoas. Essas novas relações, além de envolver a racionalidade técnico-operatória e
lógico-formal, ampliam a compreensão sobre aspectos sócio-afetivos e tornam evidentes fatores pedagógicos,
psicológicos, sociológicos e epistemológicos.
O clima de euforia em relação à utilização de tecnologias em todos os ramos da atividade humana
coincide com um momento de questionamento e de reconhecimento da inconsistência do sistema educacional.
Embora a tecnologia informática não seja autônoma para provocar transformações, o uso de
computadores em Educação coloca novas questões ao sistema e explicita inúmeras inconsistências.
Anteriormente outras tecnologias foram introduzidas na Educação. A primeira revolução tecnológica
no aprendizado foi provocada por Comenius (1592-1670) quando transformou o livro impresso em ferramenta
de ensino e de aprendizagem com a invenção da cartilha e do livro-texto. Sua idéia era utilizar
10 INFORMÁTICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES
esses instrumentos para viabilizar um novo currículo voltado para a universalização do ensino. Hoje,
apesar de se supor que atingimos um ensino universalizado quanto ao acesso, o mesmo não se pode
afirmar quanto à democratização do conhecimento.
Paulo Freire, quando questionado a esse respeito em uma conferência realizada na Universidade Federal
de Alagoas (Maceió, 1990) muito apropriadamente acentuou a necessidade de sermos homens e mulheres de
nosso tempo que empregam todos os recursos disponíveis para dar o grande salto que nossa Educação exige.
Assim, ao mesmo tempo que nos preocupamos em inserir as novas tecnologias aos espaços educacionais,
deparamo-nos com carências básicas, como o considerável percentual da população brasileira,
cujas crianças freqüentam escolas públicas – quando podem freqüentar – e que não possuem
condições mínimas favoráveis ao desenvolvimento da aprendizagem.
Nesse sentido Dowbor (1994: 122) acrescenta que “frente à existência paralela deste atraso e
da modernização, é que temos que trabalhar em ‘dois tempos’, fazendo o melhor possível no
universo preterido que constitui a nossa Educação, mas criando rapidamente as condições para
uma utilização ‘nossa’ dos novos potenciais que surgem”.
Entretanto, as propostas de modernização da Educação na maioria das vezes não têm alcançado
o sucesso esperado ao enfrentar essas questões. A dinâmica do conhecimento precisa ser encarada
num sentido mais abrangente e tentar compreender os conhecimentos emergentes da sociedade –
nos espaços denominados “espaços do conhecimento” – tais como citados por Dowbor: as empresas,
as mídias, os cursos técnicos especializados, o espaço científico domiciliar, as organizações
não-governamentais etc., que precisam ser integrados ao conhecimento educativo.
Isso significa uma proposta de parceria entre setor educacional e comunidade para explorar e
construir conhecimentos segundo as necessidades de seu desenvolvimento, numa dinâmica de articulação
em que a instituição educacional assume o papel de mobilizadora de transformações e o
professor o papel de promotor da aprendizagem.
Mas como o professor, preparado para uma pedagogia baseada em procedimentos que visam à
acumulação de informações pelo aluno, poderá reinventar a sua prática e assumir uma nova postura
diante do conhecimento e da aprendizagem?
Assim como não se pode mais questionar o uso do computador em Educação, também não se
deve adotá-lo como a panacéia para os problemas educacionais. E aí as questões são: quais as implicações
e contribuições efetivas desses novos formalismos de representação ao processo pedagógico? Como
e quando a escola poderá integrar o computador a seus espaços de saber, de modo a restabelecer as
formas de aprendizagem que enfatizam a ação e a reflexão de seus alunos? Como preparar o professor
para atuar nesta nova realidade? Esta última questão será o enfoque da análise que pretendo realizar.
A serviço de um projeto pedagógico O tema Informática em Educação e Preparação de
Professores despertou a atenção de vários pesquisadores em diferentes países. No Brasil, tem sido objeto de
análise em monografias, teses de Mestrado e Doutorado (Foresti, 1996; Menezes, 1993; Moreira e Silva,
1990; Silva Filho, 1988), os quais procuram examinar a questão de forma crítica, considerando o computador
como uma ferramenta a serviço de um projeto pedagógico.
Essa mesma perspectiva é assumida em trabalhos publicados por Valente (1993, 1994, 1995), Machado
(1994, 1995), Ribas Júnior (1992), Gatti (1993), Carraher (1990), Falcão (1989) e outros. Existem
autores que concordam com essas idéias e enfatizam as questões políticas que permeiam a introdução do